sábado, dezembro 27, 2008

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Quando eu era menina o Natal era comemorado na casa de minhas avós. Um ano com a italiana Concetta e no outro com a brasileiríssima, Maria. Cidades diferentes e hábitos diversos.

As crianças recebiam presentes simples e comia-se frutas secas. Ninguém falava em Papai Noel como se fala hoje. Ele era uma linda figura abstrata que servia para justificar as lembranças que os Pais presenteavam os pimpolhos. Os adultos bebiam vinho e conversavam. Os presentes eram abertos no dia 25 pela manhã.

O Pai de minha Mãe morreu em 26 de dezembro de 1959 e a partir daí a coisa ficou meio complicada e triste, mas com os anos, a dor diminuiu e o Natal voltou a brilhar. Aos poucos os avós foram se despedindo de nós e minha Mãe tornou-se a matriarca e competia a ela fazer a festa, a ceia e a decoradora da casa. Eu ajudava, até me casar.

Com a chegada da namorada do meu irmão e hoje, sua esposa há 35 anos, o Natal virou uma festança de roupas, presentes e muita farra. Deixou de ser aquela coisa intima e bonita para ser comercial e fútil. Alegre, todavia!

Fazia anos e mais anos que eu não apreciava o Natal. Sentia-me um peixe fora da água na festa que obrigatóriamente eu frequento. Desde que me casei meu Natal mudou. Meu marido não gostava de ir à casa de minha Mãe e sempre buscou me tirar de lá. Cedi, é claro!

Para mim, um sofrimento saber que os meus estavam juntos e eu, no meio de estranhos, com quem não tinha a menor ligação.

Os meus se despediram. Primeiro meu Pai e muitos anos depois, minha Mãe. Sobramos 3 irmãos sem muita liga por conta de fatos outros que não vem ao caso e estão, confusamente, contados no outro blog do Beagle, com link ali do lado.

Antes mesmo de minha Mãe ir-se eu me via no meio daqueles estranhos para comemorar o Papai Noel, já que, eles não tem a mais mínima religiosidade e nem ligam para o nascimento de Jesus.

O pior é que, na distribuição dos presentes eu via minha insignificância para eles. Cheguei a receber uma correntinha quebrada, que joguei na calçada, em frente ao prédio, tamanha a humilhação. Não me dessem nada!

Apesar disso, os anos foram passando, as encrencas para Natal e Ano Novo entre eles foram enormes e eu, de camarote, observando, sem dar palpite.

Minha toalha de Natal passou a ser requisitada, assim como meus préstimos culinários. Ora uma torta, ora o tender...

Nesse Natal eu resolvi não cozinhar. Sirvam-me, pensei comigo. Emprestei minha toalha, mais uma vez. Comprei uma torta numa doceira por aqui.

Preparei-me para receber um sabonete ou uma toalhinha de mão bordada, mas, de propósito, levei bons presentes. Sou humana e adoro provocar!

A surpresa maior veio do filho do meu marido que me presenteou com um livro. Por meio desse livro ele reconheceu que sou inteligente e bem informada. Ele mostrou que tem respeito pelo meu intelecto e algum carinho, já que se lembrou de mim. Por meio desse livro ele me demonstrou que não mais resiste à idéia de eu ter me casado com o Pai dele. Demonstrou que podemos conversar, o que acho ótimo!

Ele me presenteou com "Deu no New York Times" de Larry Rohter, Ed. Objetiva, que, por sinal, já comecei a ler.

A esposa me presenteou com outra correntinha de qualidade discutível, mas, desta vez, inteira. O que significa a correntinha? Tenho minha teoria, mas prefiro me calar.

Almocei com meu irmão no dia 25 e ele está muito frágil.

Como foi o Natal de quem o comemora?

Bjkª. Elza

8 comentários:

Anny disse...

Elza:
Adoro Natal. Sempre gostei e minhas históriaa com o Natal sempre foram ótimas. Nunca deixei que alguém pudesse destruí-las. No dia 24 meu filho e eu fizemos uma ceia. Muito bom. E hoje fomos ao shopping e ele comprou um presente para mim e eu comprei outro para ele. Acho que temos uma galera interna muito bacana. Ajuda a darmos risadas quando não dá certo e celebrar quando existe acerto.

*Elza: seu blog foi celebrado no Blog Linha!
Beijos.
Anny

Celia disse...

Venho de uma familia de 10 irmaos, onde o natal sempre foi uma festa feliz,familiar e religiosa. Minha mae sempre rezava conosco antes da ceia. Aqui na Suecia, tenho uma familia bem pequena, mas muito unida, onde todos gostamos do Natal. Pela manha, eu, Livia e Kurt nos demos a mao e rezamos um pouquinho, agradecendo a deus nossas vidas, nossas alegrias. Depois fomos pra casa da minha cunhada onde foi tudo ótimo. (Escrevi no blog). Assim foi meu natal.

evipensieri disse...

Oi Elza.

Nunca gostei muito de Natal. Sepre achei uma festa muito triste. Como não temos parentes que moram próximos a feste sempre foi celebrada só entre nós. De uns anos para cá minha mãe resolveu convidar ua família de uma prima dela que mora em Campinas e este ano vieram os sogros da minha irmã. Até que foi mais divertido pois tenho um sobrinho de 2 anos que está começando a entender o sentido da festa.
Sobre os presentes, para as minhas irmãs e meus pais eu pergunto o que querem ganhar e para os outros tenho que pensar um pouco mas acho que sempre deu certo. Pelo menos eu nunca percebi nada.

Bjs.
Elvira

Kovacs disse...

Elza, infelizmente ainda não tenho intimidade suficiente para comentar uma postagem tão pessoal, mas gostaria apenas de agradecer a sua visita lá no meu mundo e dizer que gostei muito do seu blog (sou um apaixonado por cães - logo não resisto àquela imagem na parte superior do seu template). De qualquer forma, voltarei com mais calma para ler com atenção os seus textos, seu blog já tem link garantido. Feliz 2009!

Blog do Beagle disse...

nny, sua celebração me deixou muito contente. Diria que até um pouco vaiddosa quando fui olhar os outros blogs celebrados!!! Já me comuniquei com alguns daqueles indicados e já obtive respostas. Vc é um amor de gentil e me deu um enorme presente de Natal. Adorei saber de sua ceia com o filho e a troca de presentes. Bjkª. Elza

Blog do Beagle disse...

Celia, acredito que tenha sido dificil no começo de sua vida aí na Suécia a comemoração do Natal longe da alegria de tantos irmãos, mas pelo que entendi, hoje é tranquila e feliz. Que bom!!! Bjkª. Elza

Blog do Beagle disse...

Elvira, eu adoro dar presentes e não tem época para mim! As pessoas comentam o que querem ganhar. Elas contam do que gostam!!! Tenho dificuldade para dar presentes para quem não conheço e aí parto para uma coisa impessoal com direito a troca. Bjkª. Elza

Blog do Beagle disse...

Kovacs, sinta-se em casa e ´volte quando quiser. Muito gentil sentir-se invadindo porque a postagem foi pessoal. Esse blog é muito intimista e vai contanto a minha história, permeada com alguns contos e de vez em quando comentários sobre o cotidiano. Tudo muito amador e simples. Volte quando quiser. Linkei vc, tá bom? Elza

Thelma Louise

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Elza Maria sempre em busca de respostas. Paradoxal, curiosa, inteligente, crítica, observadora, sentimental, habilidosa, amorosa, sensível, disciplinada e um montão de outras coisas. Ser humano normal, comum, mediano, mas que gosta de escrever e está no quarto blog.

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