sábado, janeiro 31, 2009

PostHeaderIcon Sorte ou competência?


Naquele tempo ninguém falava em condominio fechado, até porque, não existia portão para vedar a passagem de estranhos, mas, ninguém de fora entrava na vilinha de 12 casas.


Eram 12 casinhas iguais, com sacada, 3 dormitórios, quintalzinho e um único banheiro no andar de cima. Copa-cozinha ampla e sala pequena como era padrão.


Todos os moradores daquela vilinha se conheciam e os filhos brincavam no espaço comum com floreiras arrumadas. Uma ou outra familia possuia carro e eram os que socorriam os demais nas doenças, nos funerais e nos casamentos.


Numa das casas residia uma familia completa: marido, professor de Inglês; mulher, dona de casa e 3 filhos "em escadinha". O mais velho já tinha 8 anos, o segundo 6 e a menina,4 anos.


Todos os dias ela distribuia os filhos pela vizinhança em busca de comida e assim, alimentava a todos com as cenouras, cebolas, batatas, ovos, bananas pedidas por empréstimo e jamais devolvidos. Era motivo de chacota dos demais vizinhos que, sempre compravam algo a mais porque sabiam que haveria pedidos de empréstimo.


O marido tinha poucos alunos e o que ganhava não era o suficiente para manter a familia apesar da escola pública em que estudavam os filhos, os postos de saude do governo que utilizavam para cuidar da saude e os famosos empréstimos de alimentos.


Ela era exímia costureira.


- Mulher minha não trabalha para fora, Terezinha. Desista de me pedir! Não consinto e não permito! bradava o professor que, comprou um violão e estava estudando por meio de um método muito popular nas bancas de revistas.


A pedido das vizinhas ela começou a fazer pequenos consertos nas roupas: uma barra que se soltara, botões que precisavam de reforço, um ajuste aqui e outro ali. O dinheiro começou a aparecer.


Aos poucos, ela estava costurando para o bairro. Varava a noite cortando, chuleando, alinhavando, montando os vestidos para prova e pregando botões. As mãos inchavam de tanto pregar alfinetes. Os ouvidos doiam de tanta conversa fútil ouvida no quartinho de costura lá no fundo da casa.


- Viu só? A Terezinha matriculou os filhos na escola particular, comentou uma.


- Isso não é nada, ela estava procurando uma casa ou uma loja para colocar a oficina, disse a outra.


- Oficina? Imagine, é atelier!!!


- Pudera, com os preços que ela está colocando nas roupas!


- Vem a mulherada lá dos Jardins para fazer roupa com ela.


- Você viu os figurinos importados que ela comprou?


- Eu soube que ela foi lá no Afonso e mandou pintar uma placa escrita "Madame Terê" para por na porta.


- O quê??? Virou Madame Terê??? Quem diria que ela teria tanta sorte!


- Ela contratou duas ajudantes. Disse que não pode perder tempo fazendo barra e pregando ziper.


Os comentários continuaram por dias até a inauguração do atelier, com coquetel e tudo. Todas as vizinhas e freguesas foram convidadas e o marido tocou violão para fazer fundo musical, já que não tinha mais qualquer aluno e não se preocuva em desenvolver qualquer atividade lucrativa. Com muito custo ia entregar uma peça de última hora na casa de uma freguesa.


- Eu incentivei minha mulher a desenvolver seu talento para costura, vivia dizendo o professor violonista. Fui eu quem criei a placa que está pendurada lá fora.


- Dona Florinda, a senhora é professora de Inglês? Poderia dar aula para meus filhos? Gostaria tanto que eles falassem outro idioma. É tão importante para a vida profissional deles, disse Terê para uma de suas freguesas...

Bjkª. Elza

5 comentários:

Brasil Empreende disse...

Ola visitei seu blog e achei um barato e gostaria de convidar para acessar o meu também e conferir a postagem desta semana: Inovar: O grande X da questão. E Estamos participando do 1º Concurso BR-Infor-Blog, e gostaríamos de contar com o voto de vocês. De repente poderíamos até linkar nossos blogs pois realmente gostei muito do seu.
Sua visita será um grande prazer para nós.
Acesse: www.brasilempreende.blogspot.com
Atenciosamente,
Sebastião Santos.

barbara disse...

adoro suas histórias Elzinha. Bj - saudades. Ontem falei de vc. Disse a Drica que desde que te conheço, vc é muito presente em minha vida. E eu adoro :)

Blog do Beagle disse...

Sebastião Santos, obrigada pela visita. Elza

Barbara, quer matar a velha, quer??? Bjkª especial. Elza

Tetê disse...

Ah meu Deus... agora você me deixou com saudades da minha infância... Eu morei numa vila assim... As casas só não eram de dois andares, mas era um ambiente tão fraternal que parecia que todos eram da mesma família! Tempo bom... A Terê é decidida! Bjks Tetê

Blog do Beagle disse...

Tetê, eu tenho muita vontade de morar numa vila, com portão... Bjkª. Elza

Thelma Louise

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Elza Maria sempre em busca de respostas. Paradoxal, curiosa, inteligente, crítica, observadora, sentimental, habilidosa, amorosa, sensível, disciplinada e um montão de outras coisas. Ser humano normal, comum, mediano, mas que gosta de escrever e está no quarto blog.

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